Aula-Fora


 APRENDER TAMBÉM FORA DA ESCOLA

 
           Desde os primeiros anos do Ensino Fundamental até a conclusão da Educação Básica, espera-se que crianças e jovens desenvolvam conhecimentos e habilidades para se comunicar, compreender o mundo, fazendo escolhas e desenvolvendo suas potencialidades.
 





 
O novo cenário da educação se abre no século XXI com novas perspectivas para o profissional que se insere no mercado de trabalho, sob diversas abrangências, como nos mostra a própria sociedade, que vive um momento particular discussões sobre globalização, neoliberalismo, terceiro setor, educação on-line, enfim, uma nova estrutura se firma na sociedade, a qual exige profissionais cada vez mais qualificados e preparados para atuarem neste cenário competitivo.
Diante da atual realidade em que se encontra a sociedade, a educação tem se transformado na mola mestra, para enfrentar os desafios que se articulam dentro dela e em todos os seus segmentos, desafios gerados pela globalização e pelo avanço tecnológico na atual era, a tão inovadora e desafiadora era da informação.
 O profissional Pedagogo também vai se transformando, se adequando a esta nova realidade, se posicionando como profissional capacitado para caminhar junto a esta transformação da sociedade, para atuar nas diferentes áreas existentes no mercado de trabalho, seja ele qual for, deixando de ser, neste novo contexto, o mesmo Pedagogo do século XVIII, XIX e até mesmo século XX.
A educação em espaços não escolares vem confirmar esta discussão que vivenciamos, o pedagogo sai então do espaço escolar, que até pouco tempo, era seu espaço (restrito) de trabalho, para se inserir neste novo espaço de atuação com uma visão redefinida da atuação deste profissional.
É importante ressaltar aqui como a educação formal e a não formal caminham paralelamente.
Formal - quando as condições educativas; objetivos; recursos; atividades – são previamente estabelecidas e arranjadas pelo grupo.

Não Formal - quando não há preparação prévia das condições que levem à educação; o indivíduo, como participante do grupo ou mero espectador, a partir da própria convivência social, vai assimilando e incorporando maneiras de agir, pensar e sentir do grupo.

Fora da escola predomina a educação não formal, já que o indivíduo aprende e se educa através de todas as experiências sociais das quais participa: brinquedos, passeios, programas de comunicação (TV, rádio, internet) convivência familiar, grupal religiosa ou não, etc. O que não quer dizer que fora da escola ou das religiões não há educação formal.

A maior parte dos pais tem objetivos claros a atingir em relação aos filhos e aplicam meios que consideram mais eficientes para alcançar tais objetivos. Então existe a intenção de educar, de orientar, de criar condições para que os filhos possam se desenvolver de acordo com as expectativas dos pais e da sociedade. “… uma nova cultura escolar que forneça aos alunos instrumentos para que saibam interpretar o mundo” (Touraine, 1997, citação da autora).

CRIATIVIDADE FORA DA SALA DE AULA
As aulas passeios tem como objetivo aprofundar os conhecimentos adquiridos em sala de aula nas diversas áreas. É sempre muito interessante para os alunos, o que proporciona uma aprendizagem mais significativa e humanizada, com maior interação entre alunos e professores. Além de ultrapassar os limites da escola, as aulas passeios despertam nos aprendizes um interesse maior pela pesquisa e pelos estudos, tornando as disciplinas mais lúdicas e atraentes.

Freneit criou a aula passeio para atingir um objetivo maior do passear, que é o despertar, nas crianças, de uma consciência de seu meio, incluindo os aspectos sociais, e de sua história.

PROPOSTA PEDAGÓGICA DE  FRENEIT


Para Freinet, a educação deveria proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real. Sua carreira docente teve início construindo os princípios educativos de sua prática. Ele propunha uma mudança da escola, pois a considerava teórica e portanto desligada da vida.

Suas propostas de ensino estão baseadas em investigações a respeito da maneira de pensar da criança e de como ela construía seu conhecimento. Através da observação constante ele percebia onde e quando tinha que intervir e como despertar a vontade de aprender do aluno De acordo com Freinet, a aprendizagem através da experiência seria mais eficaz, porque se o aluno fizer um experimento e der certo, ele o repetirá e avançará no procedimento; porém não avançará sozinho, precisará da cooperação do professor.
Na proposta pedagógica de Freinet,a interação professor-aluno é essencial para a aprendizagem. Estar em contato com a realidade em que vive o aluno é fundamental. As práticas atuais de jornal escolar, troca de correspondência, trabalhos em grupo, aula-passeio são idéias defendidas e aplicadas por Freinet desde os anos 20 do século passado.
Além das técnicas pedagógicas, o aspecto político e social ao redor da escola não deve ser ignorado pelo educador. Isto porque sua pedagogia traz em seu bojo a preocupação com a formação de um ser social que atua no presente, a liberdade é a possibilidade do ser humano vencer obstáculos. Freinet buscou técnicas pedagógicas que pudessem envolver todas as crianças no processo de aprendizagem, independentemente da diferença de caráter, inteligência ou meio social, (lembrando-se mais uma vez que ele afirmava que o conteúdo estudado no meio escolar deveria estar relacionado às condições reais de seus alunos).
 
COMO ORGANIZAR BOAS SAÍDAS PEDAGÓGICAS

Lugar de aprender não é apenas na escola. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) destacam como é importante os alunos conhecerem e valorizarem as características fundamentais do Brasil nas dimensões sociais, materiais e culturais  e de se perceberem integrantes e agentes transformadores do ambiente.

Em muitas redes a cobrança de qualquer valor é proibida, pois contraria os princípios de igualdade de oportunidades e de gratuidade expressos pela Constituição e pela Lei de Diretrizes de Bases da Educação (LDB).
 
OBJETIVOS

1 - De caráter geral:

a) Desenvolver o universo cultural e social do aluno, permitindo-lhe refletir e observar, criticamente, os aspectos funcionais de sua comunidade.

b) Aumentar o domínio e o espaço vital que o aluno deve possuir sobre seu macro-ambiente.

2 - De caráter específico:

a) Estruturar o relacionamento pais-aluno-escola.

b) Desenvolver os aspectos de necessidade de segurança no trabalho, valorização de todo trabalho como essencial para o bem estar da comunidade e aspectos científicos (técnicos) dos locais de trabalho visitados, que cada um será por sua vez o centro de atenções da aula (através do trabalho dos pais ou responsáveis).

d) Colher material significativo para conteúdo das aulas (linguagem oral, escrita, ciências, estudos sociais e outras).

e) Conhecer os processos de transformações que os materiais sofrem, pela ação do trabalho humano.

3 - Locais a serem visitados:

O lugar para visita poderá ser escolhido de acordo com o conteúdo trabalhado ou outros lugares que possam trazer experiências e vivências ricas à criança ampliando o seu aprendizado e contribuindo para o seu pensamento crítico e raciocínio.

Instituições: Prefeitura, Fórum, Câmara Municipal, Posto de Saúde, Bancos, Escolas;

Escritórios de: Arquitetura e Engenharia, Contabilidade, Advocacia;

Profissionais autônomos: Empresa de Transporte Coletivo, Beneficiamento e torrefação de Café, Supermercados, Marcenaria, Pastifício, Laticínio, Consultórios Médicos, Hotéis, Atelier de Artes Plásticas, Farmácia.

Além desses, poderão ser visitados outros locais de interesse das crianças ou para desenvolver algum assunto específico em aula.

4 - Dinâmica da Aula-Passeio:

O professor deverá ter uma ideia clara sobre o local a ser visitado para orientar os alunos a realizarem um roteiro prévio dos elementos mais importantes a serem observados durante a aula-passeio.

Deverão também ser trabalhados os aspectos de locomoção escola-local visitado, tais como: cuidados ao atravessar a rua, entrada e saída de veículos, normas sociais adequadas no relacionamento com outras pessoas, segurança pessoal e do grupo no local visitado, e outras.

Após a visita, os alunos deverão desenhar (retratar graficamente) os aspectos mais relevantes observados, de forma livre.

A partir deste desenho, professora e alunos, elaborarão texto simples em linguagem acessível a todos sobre a experiência vivenciada.

Deste texto, sairão os elementos a serem trabalhados nas áreas de linguagem escrita, ciências, estudos sociais e outras.

5 - Avaliação:

Será dada pelo interesse que a classe tiver nas visitas, pela produção dos desenhos e textos e pelos relatórios orais surgidos.

Ao final da aula, as fotos são colocadas em nossa web site para que todos possam as visitas realizadas.

CAMINHADA PELO ENTORNO DA ESCOLA
 
 
Objetivos
  • reconhecer a importância de se preservar as áreas verdes para a melhoria da qualidade de vida e do meio ambiente;
  • identificar e mapear a presença do verde na escola e em seu entorno.
Conteúdo
  • a ocupação desordenada pelo homem do espaço que ocupa;
  • o desrespeito do homem com o meio ambiente;
  • a importância da preservação de áreas verdes em espaços urbanos para a melhoria da qualidade de vida.
Ano 4º 5º

Tempo estimado 5 aulas

Materiais necessários
  • recortes de noticias atuais sobre mudanças climáticas encontradas em jornais, revistas, artigos da internet;
  • croqui da escola e seu entorno.
  • máquina fotográfica
Desenvolvimento
1ª aula: Divida os alunos em grupo e entregue as reportagens. Peça que os alunos leiam e discutam, com base nos seguintes questionamentos:

  • O que são mudanças climáticas? Por que acontecem?
  • Que consequências essas mudanças trarão ao homem?
  • Que atitudes o homem pode tomar para amenizar essas mudanças?
  • A presença de árvores e áreas verdes pode contribuir para a melhoria do meio ambiente?
Conduza um debate entre os grupos mostrando como o homem se apropria indevidamente do espaço, desmatando áreas verdes e construindo sem planejamento. Saliente a importância de atitudes diárias de atitudes diárias individuais para a transformação das condições ambientais globais.

2ª aula: Entregue um croqui, para que os alunos posam mapear as árvores que estão no entorno da escola durante a caminhada, e um questionário, que servirá como roteiro de observação:
  • você observa muitas árvores nesta rua?
  • em que condições de preservação elas se encontram?
  • toda casa possui uma árvore?
  • essas árvores são novas ou antigas?
  • são árvores frutíferas?
  • você consegue identificar algum morador (pássaro) na árvore?
  • qual benefício que uma árvore traz ao morador que a possui?
3ª aula: Este é o momento de sair a campo. Leve os estudantes para fora da escola, caminhe por todo o entorno, percorrendo ruas e parando sempre que encontrar uma árvore para que eles possam realizar o registro e mapear a localização das árvores no croqui.
Durante o trajeto, fotografe os estudantes trabalhando, a paisagem e as árvores observadas.

4ª aula: De volta à sala de aula, abra um círculo de debate. Deixe que contem o que acharam da caminhada e das árvores que encontraram. Faça no quadro um registro da observação do coletivo, anote as possíveis sugestões que surgirem.

5ª aula: Faça um painel com as fotos tiradas e o registro coletivo. Ele servirá de ponto de partida para ações futuras.
 
Avaliação
 
Divididos em grupos, os estudantes deverão confeccionar cartazes sobre o que aprenderam em relação às questões ambientais e a ação humana. Deverão fixar nos murais da escola com a finalidade de sensibilizarem os demais estudantes.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
 
Gohn, Maria da Gloria. Educação não formal e cultura política: impactos sobre o Associativismo do terceiro setor. 2ed. São Paulo, Cortez, 2001.

Holtz, Maria Luiza Marins. Lições de Pedagogia Empresarial. MH Assessoria Empresarial Ltda. 1999.

Ribeiro, Amélia Escotto do Amaral. Pedagogia Empresarial: Atuação do Pedagogo na Empresa. Rio de Janeiro. Wak.

Chiavenato, Idalberto. Gestão de Pessoas. São Paulo.

Libâneo, José Carlos. Organização e Gestão da Escola: Teoria e Prática.

_________________ Pedagogia e pedagogos para quê? São Paulo, Cortez, 2002.

Luck, Heloisa. Metodologia de Projetos. Petorpolis, R. J.: Vozes, 2003.

 

LINKS RELACIONADOS:

Disponível em:


<http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/visitar-jardim-botanico-passeio-rende-boas-licoes-425730.shtml>Acesso em 05 de maio de 2013.

<http://gatinhosunidos.blogspot.com.br/2011/10/aula-passeio.html>Acesso em 25 de abril de 2013.

CÉLESTIN FREINET– WIKIPÉDIA. Disponível em:

<http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lestin_Freinet> Acesso em 28 de abril de 2013.

<http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/celestin-freinet-307897.shtml> Acesso em  30 de abril  de 2013.

 

 

 

 


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